A maioria das pessoas vive física, intelectual ou moralmente, num círculo muito restrito do seu ser potencial. Elas fazem uso de uma parte muito pequena de sua consciência possível.


( William James)


segunda-feira, 16 de julho de 2012

O Reinado da consciência - O poder do presente

 Só existe uma possibilidade de estarmos cientes dos sinais dados pelo espírito, estando presentes, estando no agora, não existe outra possibilidade. A nossa vida é um emaranhado, um novelo embaralhado de vários tipos de linhas, de vários tipos de energia, a maioria que se apresenta em nossa visível personalidade não são energias nossas, são energias de professores que tivemos por toda a vida, não importa o tamanho da vida de cada um de nós. Desfazer o novelo é o primeiro passo para encontrar-se, mas não o único, e não caminha sozinho. Não é apenas recapitulando que emergimos deste emaranhado de energias outras que fazem que sejamos o que achamos que somos, algo muito maior existe por detrás disto. Em paralelo ao trabalho de recapitulação é muito importante que nos aloquemos, nos foquemos sempre no momento presente. Este tema já foi assunto redundante aqui neste palco de diálogos de guerreiros, mas não importa o quanto falamos, nunca vai ser suficiente. Estar presente no agora é a mágica que nos conecta a tudo, mas para estarmos totalmente aqui, não podemos simplesmente jogar o nosso passado por debaixo de um tapete, para dentro de um armário, estar aqui e agora, aqui e aqui é algo que depende de uma série de fatores, dentre eles, o primeiro, desfazer-se de todo o passado, e a isto damos o nome de recapitulação.

Contudo, caros amigos, somos homens, e claudicamos pelo hábito, não um hábito de uma vida apenas, não os nossos hábitos apenas, mas os hábitos do homem como civilização. Como hábito a nossa civilização ergueu-se encima de uma rotina um tanto quanto egóica, de identificarmos o nosso eu com a nossa mente, e ai reside a nossa prisão. A mente em si não existe no agora, a mente existe apenas no passado e no futuro, a mente pensa, problematiza, elucubra, compara, mede, da nomes, critica, a mente nos prende a um infinito jogo interno que nos leva indefinidamente para longe do agora. Me peguei aturdido quando comecei a ler um livro de Eckhart Tolle sobre o Poder do Agora, ele dizia mais ou menos isso que digo e venho martelando e achei isso fantástico. A mente nos prende em comparações, em sonhos em lembranças, sempre nos tira do agora, pois diante do agora o que emerge é a presença da consciência, e a consciência afasta qualquer resquício do eu, do ego. Contudo somos ensinados como civilização a manter o passado como nossa identidade, comumente ouvimos alguém dizer: “somos o produto de nosso passado.” Ou frases com o mesmo sentido, e a mesma ignorância. Não somos o nosso passado, pois o passado não existe, tão pouco somos os nossos sonhos, pois eles são fantasias da mente, ambos, passado e futuro são fantasmas que roubam a nossa energia diariamente, são os voladores em plena atividade, coadunados por nós mesmos, ou o que achamos ser nós.
O trabalho inicial consiste então em recapitular, conforme vimos, e concentrar-se no momento presente. Este é o primeiro passo para silenciar a mente superficial e abrir espaço para a mente profunda. Não existe nada além do agora, fala Tolle em seu livro, o agora é o momento único de existência, existe apenas um agora que entender-se-á eternamente enquanto durarmos, o agora é tudo que precisamos, é tudo que temos, é tudo que podemos. Don Juan dizia para Castaneda, quando revelou a ele o maior segredo que dizia existir, ele falava que estamos cercados pelo infinito e podemos nos estender até ele para qualquer direção, e isso foi uma metáfora magnífica daquele velho índio sábio para dizer que o agora é o infinito, o presente, mais nada existe, nada além da mente, nos dividindo em milhões de fragmentos, entre lembranças, sonhos, comparações, desejos, coisas que não existem, coisas que apenas servem ao propósito de nos exaurir.
Quando compreendemos isso, não a nível intelectual, mas em um nível profundo, percebemos que o espírito só reside no hoje, no agora, onde estamos. Apenas aqui podemos estar conectados, apenas aqui acontece a mágica, qualquer mágica, apenas aqui realizamos o milagre da percepção pura, basta apenas que estejamos aqui por completo, para então perceber por completo. Apenas quem caminha nesta tênue linha, no fio da navalha do presente que consegue perceber o espírito.  Viver aqui é viver o espírito, é ver o universo em sua matemática, em sua orquestra da vida. Viver aqui, estar totalmente aqui é ser você mesmo, e diante da presença de você no aqui, no agora, não existe mente, existe apenas o silêncio da consciência, apenas o deleite da percepção pura, apenas o tudo, o infinito.
Então neste sentido, comecei a perceber que como o silêncio, a presença no presente é algo que acumulamos, pouco a pouco. Lembro-me de ter lido nos sutras budistas muita coisa sobre os exercícios de consciência no presente, exercícios em que nos concentramos na respiração, nos pensamentos, nos colocamos como observadores, como o que realmente somos, como a nossa real natureza, no agora, e assim transformamos a nossa vida, esta é a mais pura verdade. Quando iniciamos a jornada do presente, do agora, percebemos o quanto vivemos presos em pensamentos, eles a todo momento nos atacam. Percebemos o quanto somos presos aos sonhos e planos do futuro. Nos pegamos pensando em dias melhores amanhã, comparando momentos com o passado, nos pegamos comparando, catalogando, medindo e pesando pessoas gestos, e vemos o quanto deixamos de ver o momento. O pensamento, a razão, que é originalmente apenas uma ferramenta do homem, tornou-se o seu algoz, dominando o todo. A mente domina o corpo, a matéria, a nossa totalidade, e o que ela não consegue dominar ela deixa apagado, longe de nossas possibilidades, a mente mente, esta é a verdade, ela mente para manter-se no trono, e o seu cão de guarda é o ego, feroz, vigilante, sempre atento, pesando e medindo, protegendo o trono forte de nossa mente.
Mas aos poucos a pessoa que busca a presença no agora, percebe que vai aumentando o tempo que consegue estar aqui. Começa a ver os pensamentos diminuírem a força, diminuírem a intensidade, o ego vai se tornando o que é, nada. Não somos nada, pelo menos nada do que fomos criados para pensar que somos, e este é o problema, a obsessão em pensar sempre. A mente deve ser a ferramenta que é, a ferramenta da razão, e não a guia da nossa totalidade. Aos poucos o guerreiro que recapitula desprende-se de seu passado e começa a ter mais de si no agora, estando no agora, começa a desligar o piloto automático da mente e perceber a vida, e a despertar, a ter consciência, esse é o verdadeiro nascer do homem, que tem o seu corolário no momento que Castaneda chamava de “perder a forma humana”.

Qual é o sentido da “expressão perder a forma humana”? Caso alguém já tenha tentado descobrir, não significa que viramos monstros, ou fantasmas, ou coisas diferentes dos homens, significa apenas que saímos do molde do homem, dominado pela mente e identificado pelo ego. Por isso sempre preferi a expressão volta a forma humana, pois exatamente quando conseguimos dominar a mente pela consciência, exatamente quando consolidamos a nossa presença no agora caem todas as máscaras do mundo, e este é o ponto culminante do guerreiro, o ponto máximo de onde sua energia está totalmente disponível para os feitos mágicos e maravilhosos que ele pode alcançar, é um momento de graça, de luz, onde o véu de maia, que nos faz pensar na realidade como sólida e imutável caia.
O véu do mundo é o que nos faz ter sonhos, acreditar no futuro, ter medo, pensar e relembrar o passado, só assim o nosso mundo, da forma que é hoje pode se sustentar. O mundo é uma invenção tola, uma mentira repetida um zilhão de vezes, em que todos acreditamos. O nosso mundo se sustenta em mentiras, o dinheiro é uma mentira, o ego é uma mentira, duas das mentiras que são os pilares de sustentação do nosso mundo de hoje. Por conta do dinheiro pessoas morrem, matam, o dinheiro em nosso mundo representa poder, o dinheiro é o braço forte do ego, e o ego é o braço forte da mente, desta feita, a mente não é nada além do cerne de nosso mundo atual. Vivemos presos ao futuro porque nos ensina que a esperança está em dias melhores, nunca estamos satisfeitos porque nunca vivemos no hoje, no presente, sempre vivemos em sonhos, olhe para o seu lado, conhece alguém satisfeito, conhece alguém presente, no agora, no hoje. Abra a boca e faça o teste, a esmagadora maioria das conversas são sobre projeções futuras, sobre o passado, nunca se está aqui, o hoje, o agora só se torna presente em nossas vida amanhã, depois, nunca agora. Sinta a sua respiração agora, seu corpo, olhe ao seu redor, a mágica do mundo está se revelando a sua frente, seja em um objeto, seja na sua respiração, aquiete a mente por um segundo que seja e respire, o hoje é pleno, é perfeito, é tudo que temos, não existem problemas no hoje, não existem comparações, não existe tristeza, o hoje é a força do universo se manifestando em sua totalidade para nós, só basta que estejamos completos para perceber, e podemos perceber.

Apenas a luz de nossa consciência pode nos revelar o verdadeiro mundo, e isso não pode acontecer amanhã, não pode ter acontecido ontem, só pode ser feito agora. Peço aos guerreiros que aqui estão que se levantem, deliguem seus computadores, respirem, sintam-se vivos, reivindiquem a sua totalidade agora, já, só existe este momento para a mudança, percebam isso, abandonem-se no agora, completamente e sintam mais uma vez na vida o que é ser completo.

Intento a todos.



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