quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A atitude tântrica

No ocidente, somos ensinados a racionalizar nosso modo de viver, fazer julgamentos sobre o que é certo ou errado e lutar contra aquilo que não está dando certo, de acordo com nossas "expectativas".
O Tantra em contraste a tudo isso, nos ensina como aceitar tudo o que está acontecendo e fluir nisso sem stress. O tantra expande nossa consciência e move nossa energia através de tudo o que a vida nos apresenta.
Tantra é muito mais uma atitude em relação a vida - e o sexo faz parte da vida - do que crenças, comportamentos ou regras.



No Tantra não há dogmas sobre a maneira certa de se fazer as coisas. Não tem nenhum manual, nenhuma performance, nenhum script que você tenha que viver de acordo.O Tantra diz "sim" a tudo o que é.
Tudo é sagrado, e o Tantra lhe diz "dê boas vindas" a todos os seus mais "loucos" pensamentos, desejos e sentimentos.
Isso significa amar todas as partes de você mesmo e aprender com elas. Não julgue-se "mau" ou qualquer outra coisa, mas aprenda quem você é. A despeito do que você acredita, não lute com a vida, porque desta maneira você estará bloqueando seus desejos internos e fazendo de sua vida um inferno, através destes conflitos. Seja o que for que queira fazer, faça. Por exemplo; quer dançar, dance!, quer amar, abra seu coração e siga-o para onde ele te levar.
Mas e se você não gosta do que está se tornando, ou da vida que está levando, é aí que entra o tantra.


Procure internamente aquilo que lhe faça bem, coloque foco naquilo que funciona "para você", e pratique o prazer que vem de dentro de você.
Aceite os altos e baixos da vida sem se transformar em vítima. Reconheça que você é uma grande parte de um universo ainda maior. Se você focar no que não está funcionando em sua vida, com certeza você atrairá muito mais disso pra si. Abra-se para todas as sensações, todas as experiências. Abra-se para novas maneiras de ser, novas maneiras de amar... Você está evoluindo a cada momento.Enfrente seus medos, pois são somente medos, e estão te impedindo de avançar. Mova-se através deles e você terá uma surpresa.

Expresse totalmente todos os seus lados; brincalhão, sexual, espiritual, amoroso, julgador, sério e etc. Não há nada de errado em ser tudo isso. Pare de pensar demasiadamente e mergulhe nas suas sensações corporais, abra seus sentidos. Torne-se um com o tempo, espaço e a força do universo.
Quando você vive do espaço do coração, centrando-se no amor, compaixão e empatia, com certeza você se transformará. O mundo a sua volta se transformará.
A grande lição que o coração lhe dá, é a de amar a si próprio. Ame-se como a expressão divina que você é.
Pois quando você realmente amar(aceitar) tudo o que você é, você chegou em casa. Não há mais separação, há somente êxtase, o qual é seu direito inato.
Quando em sua vida, o prazer é seu foco, a vida torna-se mais fácil.



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

OS MITOS DA FELICIDADE...


NÓS, AS MULHERES...e a busca da felicidade...
(NUNCA ENCONTRADA...)

HÁ MUITAS MULHERES QUE PROCURAM DESESPERADAMENTE a dita felicidade...

Há mulheres que não pensam noutra coisa que não seja encontrar alguém que lhes possa colmatar o vazio da sua vida a sua falta de sentido em si...Mulheres que não pensam em mais nada nem querem saber de mais nada. Mulheres que dão e tudo e tudo fazem nessa miragem...
Mulheres que vivem obcecadas pelo par...que se destróem e que mutilam o seu corpo no sonho de encontrar um amor...que as mata...

Eu sei porque passei também por isso, como todas nós, mas o que está aqui em causa não é meramente esse facto absoluto da ideia e perseguição do par amoroso. Mas sim a urgência e a premência de começarmos a pensar de forma diferente, de darmos a nós mesmas espaço e tampo e a oportunidade de sermos sós...de sermos em nós quem nós realmente somos. Isto não é negar o "outro" e a sua necessidade, mas apenas fazer-nos pensar acerca do quão estamos longe de uma identidade própria, de uma autonomia e por aceitarmos esses factos que são completamente aprisionantes, manipuladores, como naturais. E não são. Temos em cima de nós toda a máquina social política e religiosa de séculos que nos fez pensar assim, que nos formatou assim; temos a a ciência e a cultura e até mesmo a literatura e a arte - o cinema e a música - que nos bombardeiam com o mito do par romântico até à exaustão...com a ideia de que sem o "par amoroso" não somos nada e que sem alguém que nos ame a nossa vida não vale nada...

Não, não é assim. E nós precisamos de acordar para nós mesmas e sentir que isso não é A verdade, a nossa verdade. Que nós temos um fundo incomensurável (como diz o poeta, a mulher é como o mar mais profundo nos seus sentimentos e emoções), que nós temos uma verdade bem nossa por resgatar, que nós temos um potencial e um manancial imenso por revelar. Que nós somos capazes de mudar o mundo se começarmos a ver como fomos enganadas e traidas e persequidas em nome do "pecado"...que somos encaradas apenas como um corpo reprodutor e um sexo...Que somos exploradas até à medula, pelas industrias farmaceuticas e cosméticas, que o nosso Útero, os nossos ovários, os nossos seios são expostos às radiações mesmo sabendo que daí não advém a cura dos nossos males, e sujeitos a extracções dos mesmos mesmo quando não estão totalmente em risco, pela Máfia Medica, como "prevenção". Somos sujeitas a intervenções estéticas aberrantes para manter a imagem que o homem e os midea de nós espera e que se a não temos desesperamos pelo medo de não sermos amadas. Não só o nosso corpo é tratado aberrantemento pela mafia médica, estilistas e outros, como pelos midea, e ainda somos manietadas pelo Clero e pelo Estado...Para só nos focarmos no Ocidente "civilizado"...
Será que nós queremos tomar conta das nossas vidas? Será que nós queremos encontrar a nossa verdadeira identidade? A nossa verdadeira liberdade que é muito mais do que salário iguais e direitos laborais? Aceder a profissões de elite e altos cargos?
Será que nos contentamos em ser cobaias e adjuntas, Atenas saidas da cabeça do Pai? A defender os homens e os seus filhos, filhas sem Mãe e a atacar sempre as outras mulheres? Mulheres que se dizem antifemistas e "resolvidas" mas que odeiam e rivalizam com as outras mulheres por ódio e vingança, e que lutam por um lugar de chefia?

SERÁ QUE NÓS QUEREMOS SAIR DESTE CICLO INFERNAL EM QUE FOMOS APRISIONADAS PELO PATRIARCADO?

Se queremos sair deste longo cilclo vicioso de sermos a metada da Humanidade banida e explorada, temos antes de tudo libertarmo-nos desse mito da felicidade e da ideia obsessiva do "par amoroso", dessa tirania secular e começar a pensar por nós e para nós...temos de esquecer essa pseudo felicidade que nos prometem todo o tempo e que nunca existiu ao cimo do mundo e que mais do que ninguém nunca nenhuma mulher a viveu...

Por tudo isso prefiro as mulheres que se questionam e sofrem...que lhes dói na pele no corpo e na alma os processos do seu crescimento interior e da sua integração como mulheres, da sua consciência, do que as que continuam cegas em perseguição da sua felicidadezinha, do seu par amoroso, a cair sempre no mesmo enredo e nunca se dando conta de quem são e que são seres capazes de se bastarem e lutarem por uma individualidade e uma verticalidade antes de mais em vez de cairem sempre no mesmo erro. Claro que eu não digo que se não deva viver um amor...um "romance" ou acreditar que a pessoa certa na nossa vida possa aparecer...mas na verdade sempre que o lindo cavaleiro aparece acresce o drama e as dificuldades...o sofrimento...e a compreensão e a ajuda que precisamos e tanto sonhamos não acontece e porquê? Porque o lindo cavaleiro quer colo (ou sexo) e vem apenas buscar o que não tem e que a mãe ou a ex-mulher...(já) não lhe pode dar. E este é o círculo vicioso da mulher em relação ao "amor" do homem...Não raramente as mulheres depois de criarem os filhos e estão divorciadas ou separadas encontram um homem que já não é o dominador ou o algoz, mas que a breve trecho se transforma em mais um filho...carinhoso, mas caprichoso exigente e anulador do seu valor. Será este um destino ou uma escolha da mulher? É a mulher suficentemente consciente de si para o evitar e estar prevenida ou cai sempre no mesmo enredo sentimental, o mesmo ciclo vicioso, querendo ou não? Tem a mulher QUERER?

Será que a mulher algum dia terá a capacidade de SER ELA MESMA por si só? Amando sem se perder, amando por ser apenas MULHER, sendo livre e digna e sem se deixar manipular por velhos padrões e comportamentos que a têm impedido de ser um indivíduo integro, capaz de dizer NÂO, em vez de se deixar explorar psiquicamente e emocionalmente! E viver a sua plenitude apenas enquanto SER HUMANO?
rlp

PARA REFLECTIR...

"O que me leva a uma pergunta especial para sua reflexão...
Você alguma vez já vislumbrou o que compõe seu eu maior?
Acho que uma mulher pode enxergar muito do seu eu profundo ao examinar algum fenômeno raro nos motivos condutores dos contos de fadas, aqueles que caracterizem nitidamente como uma mulher se torna sábia. Quando examinamos os temas nas lendas e mitos, vemos uma configuração sem paralelo, que é a seguinte: sempre que uma jovem está em situação angustiante, não é tão freqüente que um príncipe apareça, mas costuma ser, sim, uma velha sábia que se materializa como surgindo do nada, lançando sua poeira mágica ao redor e batendo no chão com sua bengala de abrunheiro. Quer essa idosa seja uma velha enrugada ou uma feiticeira com seus amuletos, quer ela seja uma mutante ou uma maga sensual, quer esteja usando trajes de ervas, vestido do brilho do pôr-do-sol, manto da meia-noite ou uniformecompleto de combate... ela é a anciã "aquela que sabe" e surge de repente para ajudar a mulher mais jovem."



domingo, 26 de fevereiro de 2012

INFLUÊNCIA HIPNÓTICA

Um mago de rua, na Índia, estava rodeado por uma multidão, que, incrédula, contemplava uma corda enrolada se retorcer e se elevar no ar lentamente, diante de seus olhos. Mas aqueles que tinham uma mente suficientemente forte para resistir à influência hipnótica do mago, ou se encontravam além do raio de poder mental do mago, simplesmente viam uma velha corda enroscada no chão e o mago parado em pé, diante dela, de olhos fechados, concentrando-se intensamente.

Na verdade, o mago estava imaginando a corda levantar-se no ar, criando esta imagem em sua mente subconsciente, e com todo seu poder ectoplásmico projetava esta imagem na mente dos espectadores. O hipnotismo é outro fenômeno que comprova o poder da mente subconsciente. Numa experiência hipnótica, a mente SUBCONSCIENTE de uma pessoa influencia a mente CONSCIENTE da pessoa hipnotizada que passa a visualizar as criações mentais do hipnotizador e atender seus comandos.

O hipnotismo está sendo usado cada vez mais na psicoterapia, na medicina e na odontologia, como uma forma de anestesia sem remédios, mas apesar de prestar benefícios imediatos, ele é, em última análise, prejudicial. A sugestão hipnótica pode atuar apenas sobre uma mente fraca e passiva. Sob a ação hipnótica, a pessoa não desenvolve controle de seu cérebro e de sua personalidade, por vontade própria, mas pelo contrário, permite que sua mente fique impedida de agir devido uma força mental mais forte.

Assim, cada vez que uma pessoa é hipnotizada, ela sofre perda de energia mental, até que por fim , sua mente ao invés de evoluir, perde toda a força de vontade e determinação. Nosso propósito não é sermos transformados pela VONTADE DOS OUTROS, pelo domínio da mente dos outros, mas sermos senhores de NÓS MESMOS. Somente assim nos libertaremos das amarras externas e internas.

Do livro: Meditação e os segredos da mente (Avadhútika Ànandamitra Àcarya)


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sonhos Lúcidos

Florinda Donner é uma discípula de Don Juan Matus, um mestre bruxo do estado de Sonora, México e, por mais de vinte anos, uma companheira minha nesta aprendizagem. Devido a seus talentos naturais, Don Juan e duas de suas companheiras feiticeiras, Florinda Grau e Zuleica Abelar, deram a Florinda Donner uma instrução e cuidados muito especiais. Entre os três a treinaram como “ensonhadora” e a levaram a desenvolver sua “atenção de ensonho” a um grau de controle extraordinário.

De acordo com os ensinamentos de Don Juan Matus, os feiticeiros do antigo México praticavam duas artes: a arte de espreitar e a arte de ensonhar. Praticar uma ou outra arte estava decretado pela atitude inata de cada praticante da feitiçaria.

Ensonhadores eram aqueles que possuíam a habilidade de fixar o que os bruxos chamam de “atenção de ensonhos”, um aspecto especial da consciência, nos elementos dos sonhos normais.

Chamavam espreitadores a aqueles que possuíam uma aptidão inata conhecida como a “atenção de espreita”, outro estado especial da consciência, que permite encontrar os elementos chave de qualquer situação no mundo cotidiano e fixar essa dita atenção neles, a fim de alterá-los ou de ajudá-los a permanecer em seu curso.

Através de seus ensinamentos, Don Juan Matus sempre deixou muito claro que as idéias dos bruxos da antiguidade ainda permanecem em vigência hoje em dia, e que os bruxos modernos sempre se reúnem nesses dois grupos tradicionais. Para tanto, seu esforço como mestre foi inculcar em seus discípulos as idéias e práticas dos bruxos da antiguidade por meio de um rigoroso treinamento e uma disciplina férrea.

A idéia dos bruxos é que, ao fazer com que a atenção de ensonhos se fixe nos elementos dos sonhos normais, estes sonhos se transformam de imediato em ensonhos. Para eles, os ensonhos são estados únicos da consciência; algo como comportas abertas até outros mundos reais, porém alheios à mente racional do homem moderno. Na primeira vez que Don Juan me falou da arte de ensonhar, eu lhe perguntei:

_Você quer dizer, Don Juan, que um feiticeiro toma a seus sonhos como se fossem uma realidade?

_Um feiticeiro não toma nada como se fosse outra coisa – contestou. –Os sonhos são sonhos. Os ensonhos não são algo que se pode tomar como a realidade: os ensonhos são uma realidade a parte.

_Como é tudo isso? Me explique.

_Você tem que entender que um bruxo não é um idiota nem um transtornado mental. Um bruxo não tem nem o tempo nem a disposição para enganar a si mesmo, ou para enganar a ninguém, e menos ainda para dar um passo em falso. O que perderia fazendo isso é demasiado grande. Perderia sua ordem vital, a qual leva uma vida inteira para se aperfeiçoar. Um feiticeiro não vai desperdiçar algo que vale mais que sua vida tomando uma coisa por outra. Os ensonhos são algo real para um bruxo porque neles ele pode atuar deliberadamente; pode escolher dentro de uma variedade de possibilidades àquelas que sejam as mais adequadas para levá-lo aonde ele necessite ir.

_Então você quer dizer que os ensonhos são tão reais como o que estamos fazendo agora?

_Se prefere comparações, lhe direi que os ensonhos são talvez mais reais. Neles a pessoa tem poder para mudar a natureza das coisas, ou para mudar o curso dos eventos. Mas tudo isso não é o importante.

_O que é então o importante, Don Juan?

_O jogo da percepção. Ensonhar ou espreitar significa ampliar o campo do que se pode perceber a um ponto inconcebível para a mente.

Na opinião dos bruxos, todos nós em geral possuímos dons naturais de ensonhadores ou espreitadores, e a muitos de nós nos resulta muito fácil ganhar o controle da atenção de ensonhos ou o da atenção de espreita, e o fazemos de uma maneira tão hábil e natural que na maioria das vezes nem nos damos conta de o haver realizado. Um exemplo disto é a história do treinamento de Florinda Donner, que precisou de anos inteiros de agonizante trabalho, não para ganhar o controle de sua atenção de ensonho, e sim para clarear seus ganhos como ensonhadora e integrá-los ao pensamento linear de nossa civilização.

Certa vez foi perguntado a Florinda Donner qual era a razão pela qual escreveu este livro, e ela respondeu que lhe era indispensável contar suas experiências no processo de enfrentar e desenvolver a atenção de ensonho a fim de tentar, intrigar ou incitar, pelo menos intelectualmente, a aqueles que se interessem em levar a sério as afirmações de Don Juan Matus acerca das ilimitadas possibilidades da percepção. Don Juan acreditava que no mundo inteiro não existe, nem talvez já tenha existido, outro sistema, exceto o dos bruxos do antigo México, que conceda à percepção seu merecido valor pragmático.

CARLOS CASTANEDA

Para Refletir...