A maioria das pessoas vive física, intelectual ou moralmente, num círculo muito restrito do seu ser potencial. Elas fazem uso de uma parte muito pequena de sua consciência possível.


( William James)


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A atitude tântrica

No ocidente, somos ensinados a racionalizar nosso modo de viver, fazer julgamentos sobre o que é certo ou errado e lutar contra aquilo que não está dando certo, de acordo com nossas "expectativas".
O Tantra em contraste a tudo isso, nos ensina como aceitar tudo o que está acontecendo e fluir nisso sem stress. O tantra expande nossa consciência e move nossa energia através de tudo o que a vida nos apresenta.
Tantra é muito mais uma atitude em relação a vida - e o sexo faz parte da vida - do que crenças, comportamentos ou regras.



No Tantra não há dogmas sobre a maneira certa de se fazer as coisas. Não tem nenhum manual, nenhuma performance, nenhum script que você tenha que viver de acordo.O Tantra diz "sim" a tudo o que é.
Tudo é sagrado, e o Tantra lhe diz "dê boas vindas" a todos os seus mais "loucos" pensamentos, desejos e sentimentos.
Isso significa amar todas as partes de você mesmo e aprender com elas. Não julgue-se "mau" ou qualquer outra coisa, mas aprenda quem você é. A despeito do que você acredita, não lute com a vida, porque desta maneira você estará bloqueando seus desejos internos e fazendo de sua vida um inferno, através destes conflitos. Seja o que for que queira fazer, faça. Por exemplo; quer dançar, dance!, quer amar, abra seu coração e siga-o para onde ele te levar.
Mas e se você não gosta do que está se tornando, ou da vida que está levando, é aí que entra o tantra.


Procure internamente aquilo que lhe faça bem, coloque foco naquilo que funciona "para você", e pratique o prazer que vem de dentro de você.
Aceite os altos e baixos da vida sem se transformar em vítima. Reconheça que você é uma grande parte de um universo ainda maior. Se você focar no que não está funcionando em sua vida, com certeza você atrairá muito mais disso pra si. Abra-se para todas as sensações, todas as experiências. Abra-se para novas maneiras de ser, novas maneiras de amar... Você está evoluindo a cada momento.Enfrente seus medos, pois são somente medos, e estão te impedindo de avançar. Mova-se através deles e você terá uma surpresa.

Expresse totalmente todos os seus lados; brincalhão, sexual, espiritual, amoroso, julgador, sério e etc. Não há nada de errado em ser tudo isso. Pare de pensar demasiadamente e mergulhe nas suas sensações corporais, abra seus sentidos. Torne-se um com o tempo, espaço e a força do universo.
Quando você vive do espaço do coração, centrando-se no amor, compaixão e empatia, com certeza você se transformará. O mundo a sua volta se transformará.
A grande lição que o coração lhe dá, é a de amar a si próprio. Ame-se como a expressão divina que você é.
Pois quando você realmente amar(aceitar) tudo o que você é, você chegou em casa. Não há mais separação, há somente êxtase, o qual é seu direito inato.
Quando em sua vida, o prazer é seu foco, a vida torna-se mais fácil.



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

OS MITOS DA FELICIDADE...


NÓS, AS MULHERES...e a busca da felicidade...
(NUNCA ENCONTRADA...)

HÁ MUITAS MULHERES QUE PROCURAM DESESPERADAMENTE a dita felicidade...

Há mulheres que não pensam noutra coisa que não seja encontrar alguém que lhes possa colmatar o vazio da sua vida a sua falta de sentido em si...Mulheres que não pensam em mais nada nem querem saber de mais nada. Mulheres que dão e tudo e tudo fazem nessa miragem...
Mulheres que vivem obcecadas pelo par...que se destróem e que mutilam o seu corpo no sonho de encontrar um amor...que as mata...

Eu sei porque passei também por isso, como todas nós, mas o que está aqui em causa não é meramente esse facto absoluto da ideia e perseguição do par amoroso. Mas sim a urgência e a premência de começarmos a pensar de forma diferente, de darmos a nós mesmas espaço e tampo e a oportunidade de sermos sós...de sermos em nós quem nós realmente somos. Isto não é negar o "outro" e a sua necessidade, mas apenas fazer-nos pensar acerca do quão estamos longe de uma identidade própria, de uma autonomia e por aceitarmos esses factos que são completamente aprisionantes, manipuladores, como naturais. E não são. Temos em cima de nós toda a máquina social política e religiosa de séculos que nos fez pensar assim, que nos formatou assim; temos a a ciência e a cultura e até mesmo a literatura e a arte - o cinema e a música - que nos bombardeiam com o mito do par romântico até à exaustão...com a ideia de que sem o "par amoroso" não somos nada e que sem alguém que nos ame a nossa vida não vale nada...

Não, não é assim. E nós precisamos de acordar para nós mesmas e sentir que isso não é A verdade, a nossa verdade. Que nós temos um fundo incomensurável (como diz o poeta, a mulher é como o mar mais profundo nos seus sentimentos e emoções), que nós temos uma verdade bem nossa por resgatar, que nós temos um potencial e um manancial imenso por revelar. Que nós somos capazes de mudar o mundo se começarmos a ver como fomos enganadas e traidas e persequidas em nome do "pecado"...que somos encaradas apenas como um corpo reprodutor e um sexo...Que somos exploradas até à medula, pelas industrias farmaceuticas e cosméticas, que o nosso Útero, os nossos ovários, os nossos seios são expostos às radiações mesmo sabendo que daí não advém a cura dos nossos males, e sujeitos a extracções dos mesmos mesmo quando não estão totalmente em risco, pela Máfia Medica, como "prevenção". Somos sujeitas a intervenções estéticas aberrantes para manter a imagem que o homem e os midea de nós espera e que se a não temos desesperamos pelo medo de não sermos amadas. Não só o nosso corpo é tratado aberrantemento pela mafia médica, estilistas e outros, como pelos midea, e ainda somos manietadas pelo Clero e pelo Estado...Para só nos focarmos no Ocidente "civilizado"...
Será que nós queremos tomar conta das nossas vidas? Será que nós queremos encontrar a nossa verdadeira identidade? A nossa verdadeira liberdade que é muito mais do que salário iguais e direitos laborais? Aceder a profissões de elite e altos cargos?
Será que nos contentamos em ser cobaias e adjuntas, Atenas saidas da cabeça do Pai? A defender os homens e os seus filhos, filhas sem Mãe e a atacar sempre as outras mulheres? Mulheres que se dizem antifemistas e "resolvidas" mas que odeiam e rivalizam com as outras mulheres por ódio e vingança, e que lutam por um lugar de chefia?

SERÁ QUE NÓS QUEREMOS SAIR DESTE CICLO INFERNAL EM QUE FOMOS APRISIONADAS PELO PATRIARCADO?

Se queremos sair deste longo cilclo vicioso de sermos a metada da Humanidade banida e explorada, temos antes de tudo libertarmo-nos desse mito da felicidade e da ideia obsessiva do "par amoroso", dessa tirania secular e começar a pensar por nós e para nós...temos de esquecer essa pseudo felicidade que nos prometem todo o tempo e que nunca existiu ao cimo do mundo e que mais do que ninguém nunca nenhuma mulher a viveu...

Por tudo isso prefiro as mulheres que se questionam e sofrem...que lhes dói na pele no corpo e na alma os processos do seu crescimento interior e da sua integração como mulheres, da sua consciência, do que as que continuam cegas em perseguição da sua felicidadezinha, do seu par amoroso, a cair sempre no mesmo enredo e nunca se dando conta de quem são e que são seres capazes de se bastarem e lutarem por uma individualidade e uma verticalidade antes de mais em vez de cairem sempre no mesmo erro. Claro que eu não digo que se não deva viver um amor...um "romance" ou acreditar que a pessoa certa na nossa vida possa aparecer...mas na verdade sempre que o lindo cavaleiro aparece acresce o drama e as dificuldades...o sofrimento...e a compreensão e a ajuda que precisamos e tanto sonhamos não acontece e porquê? Porque o lindo cavaleiro quer colo (ou sexo) e vem apenas buscar o que não tem e que a mãe ou a ex-mulher...(já) não lhe pode dar. E este é o círculo vicioso da mulher em relação ao "amor" do homem...Não raramente as mulheres depois de criarem os filhos e estão divorciadas ou separadas encontram um homem que já não é o dominador ou o algoz, mas que a breve trecho se transforma em mais um filho...carinhoso, mas caprichoso exigente e anulador do seu valor. Será este um destino ou uma escolha da mulher? É a mulher suficentemente consciente de si para o evitar e estar prevenida ou cai sempre no mesmo enredo sentimental, o mesmo ciclo vicioso, querendo ou não? Tem a mulher QUERER?

Será que a mulher algum dia terá a capacidade de SER ELA MESMA por si só? Amando sem se perder, amando por ser apenas MULHER, sendo livre e digna e sem se deixar manipular por velhos padrões e comportamentos que a têm impedido de ser um indivíduo integro, capaz de dizer NÂO, em vez de se deixar explorar psiquicamente e emocionalmente! E viver a sua plenitude apenas enquanto SER HUMANO?
rlp

PARA REFLECTIR...

"O que me leva a uma pergunta especial para sua reflexão...
Você alguma vez já vislumbrou o que compõe seu eu maior?
Acho que uma mulher pode enxergar muito do seu eu profundo ao examinar algum fenômeno raro nos motivos condutores dos contos de fadas, aqueles que caracterizem nitidamente como uma mulher se torna sábia. Quando examinamos os temas nas lendas e mitos, vemos uma configuração sem paralelo, que é a seguinte: sempre que uma jovem está em situação angustiante, não é tão freqüente que um príncipe apareça, mas costuma ser, sim, uma velha sábia que se materializa como surgindo do nada, lançando sua poeira mágica ao redor e batendo no chão com sua bengala de abrunheiro. Quer essa idosa seja uma velha enrugada ou uma feiticeira com seus amuletos, quer ela seja uma mutante ou uma maga sensual, quer esteja usando trajes de ervas, vestido do brilho do pôr-do-sol, manto da meia-noite ou uniformecompleto de combate... ela é a anciã "aquela que sabe" e surge de repente para ajudar a mulher mais jovem."



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

DESAPEGO




Certa vez um iogue entrou num palácio e foi diretamente ao trono do rei. Devido à sua aparência estranha, ninguém se atreveu a detê-lo. Ele disse ao rei: ''Estou buscando um lugar para dormir neste hotel de beira de estrada''.

O rei bradou: ''Isto não é um hotel de beira de estrada, é meu palácio real''. O iogue perguntou tranquilamente: ''A quem pertenceu antes de você?'' O rei respondeu: '' A meus pais.'' ; ''E antes deles? ''; ''A meus avôs.'' respondeu o rei. Então, o iogue sorriu: ''E a este lugar, onde as pessoas entram e saem, repousam e seguem viagem, você poderia dar outro nome senão o de um hotel de beira de estrada?''



domingo, 26 de fevereiro de 2012

INFLUÊNCIA HIPNÓTICA

Um mago de rua, na Índia, estava rodeado por uma multidão, que, incrédula, contemplava uma corda enrolada se retorcer e se elevar no ar lentamente, diante de seus olhos. Mas aqueles que tinham uma mente suficientemente forte para resistir à influência hipnótica do mago, ou se encontravam além do raio de poder mental do mago, simplesmente viam uma velha corda enroscada no chão e o mago parado em pé, diante dela, de olhos fechados, concentrando-se intensamente.

Na verdade, o mago estava imaginando a corda levantar-se no ar, criando esta imagem em sua mente subconsciente, e com todo seu poder ectoplásmico projetava esta imagem na mente dos espectadores. O hipnotismo é outro fenômeno que comprova o poder da mente subconsciente. Numa experiência hipnótica, a mente SUBCONSCIENTE de uma pessoa influencia a mente CONSCIENTE da pessoa hipnotizada que passa a visualizar as criações mentais do hipnotizador e atender seus comandos.

O hipnotismo está sendo usado cada vez mais na psicoterapia, na medicina e na odontologia, como uma forma de anestesia sem remédios, mas apesar de prestar benefícios imediatos, ele é, em última análise, prejudicial. A sugestão hipnótica pode atuar apenas sobre uma mente fraca e passiva. Sob a ação hipnótica, a pessoa não desenvolve controle de seu cérebro e de sua personalidade, por vontade própria, mas pelo contrário, permite que sua mente fique impedida de agir devido uma força mental mais forte.

Assim, cada vez que uma pessoa é hipnotizada, ela sofre perda de energia mental, até que por fim , sua mente ao invés de evoluir, perde toda a força de vontade e determinação. Nosso propósito não é sermos transformados pela VONTADE DOS OUTROS, pelo domínio da mente dos outros, mas sermos senhores de NÓS MESMOS. Somente assim nos libertaremos das amarras externas e internas.

Do livro: Meditação e os segredos da mente (Avadhútika Ànandamitra Àcarya)


quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012



''Nunca existiu uma pessoa como você antes, não existe ninguém
neste mundo como você agora e nem nunca existirá.
Veja só o respeito que a vida tem por você.
Você é uma obra de arte — impossível de repetir,
incomparável, absolutamente única."

Não se preocupe com a perfeição. Substitua a palavra "perfeição" por "totalidade". Não pense que você tem de ser perfeito, pense que tem de ser total. A totalidade dá a você uma dimensão diferente."

OSHO

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Toda estrela se apoia no vazio do cosmos...


Eckhart Tolle - 2012 e o Fim do Mundo








Dois patos depois que se confrontam, separam-se e afastam-se em direções opostas. Em seguida cada um deles bate as asas vigorosamente algumas vezes, liberando assim o excesso de energia acumulada durante a luta. Depois disso, eles nadam em paz, como se nada tivesse acontecido.

Se o pato tivesse a mente humana, ele conservaria a luta viva no pensamento por meio de uma história. Provavelmente, ela seria assim: ” Não acredito no que ele acabou de fazer. Ele chegou a poucos centímetros de mim. Pensa que é o dono do lago. Não tem consideração pelo meu espaço privado. Nunca mais vou confiar nele. Da próxima vez, ele vai fazer a mesma coisa só para me aborrecer. Tenho certeza que já está tramando alguma coisa. Mas não vou suportar isso de novo. Vou ensinar a ele uma lição de que não vai esquecer.”

É dessa forma que nossa mente cria as histórias, uma atrás da outra. E é assim que a maioria das pessoas vivem suas vidas, cada acontecimento criam inúmeras histórias.

Aprendamos então com os patos: bata suas asas, isto é, “deixe a história para lá” e retorne para o único lugar importante: o momento presente.

trecho do livro- O despertar da consciência (eckhart tolle)




"A verdadeira vida de um homem é o caminho no qual ele se desfaz das mentiras que lhe foram impostas pelos outros. Desprovido das roupas, nu, ao natural, ele é aquilo que é. Trata-se aqui de ser, e não de vir a ser. A mentira não pode transformar-se na verdade, a personalidade não pode transformar-se na sua alma. Não existe maneira de transform
ar o não-essencial em essencial.


O não-essencial permanece não-essencial, e o essencial permanece essencial — eles não são conversíveis. Esforçar-se pela verdade só vai criar mais confusão. A verdade não precisa ser conquistada. Ela não pode ser conquistada, pois já está aí. Apenas a mentira é que precisa ser descartada. Todos os anseios, propósitos, ideais e metas, todas as ideologias, religiões e sistemas de aperfeiçoamento, de melhoramento, são mentiras. Cuidado com tudo isso. Reconheça o fato de que do jeito como você é agora, você é uma mentira, resultado de manipulação, produzido pelos outros. A busca da verdade é de fato uma distração e um adiamento. É a fórmula encontrada pela mentira para disfarçar-se.

Olhe a mentira de frente, examine a fundo a falsidade que é a sua personalidade. Pois encarar a mentira é parar de mentir. Deixar de mentir é desistir de buscar alguma verdade — não há necessidade disso.
No momento em que desaparece a mentira, ali está a verdade em toda a sua beleza e esplendor. Encarando-se a mentira ela desaparece, e o que fica é a verdade."

OSHO


NADA É IMPOSSÍVEL PARA UM CORAÇÃO CONFIANTE!



"Se você tem o coração que confia, nada é impossível — até mesmo Deus não é impossível. Mas você precisa ter um coração confiante. Uma mente confiante não adiantará, porque estruturalmente a mente não pode confiar. Ela é incapaz de confiar. A mente só pode duvidar; a dúvida é natural para a mente, é intrínseca à mente. A cabeça nada pode fazer a não ser duvidar. Assim, se você começar a forçar crenças à cabeça, essas crenças só esconderão suas dúvidas. Nada acontecerá através delas. E é aí onde estão muçulmanos, cristãos, hindus, jainas; a crença deles é mental — e a mente é incapaz de crer.

Para a mente, crer não é possível; a mente pode apenas duvidar. A dúvida cresce da mente como as folhas crescem das árvores. A crença surge no coração. O coração não pode duvidar, só pode confiar. Assim, a crença mental — acredito na Bíblia, acredito no Alcorão, acredito no Das Kapital, acredito em Mahavira, ou Moisés, ou Mao Tse Tung — é apenas um falso fenômeno. A cabeça pode apenas criar falsidades, substitutos. Você pode permanecer comprometido com elas, mas sua vida será desperdiçada. Você permanecerá uma terra árida, um deserto. Você nunca florescerá, nunca saberá o que é um oásis. Não conhecerá o menor contentamento, a menor celebração. Assim, quando digo que crer pode tornar coisas impossíveis em possíveis, refiro-me a crer pelo coração — um coração inocente, o coração de uma criança que não sabe como dizer "não", que conhece apenas o sim — mas não o "sim" contra o "não". Não que a criança diga "não" por dentro e "sim" por fora; isso é da cabeça.

Essa é a maneira da cabeça; sim por fora, não por dentro, não por fora, sim por dentro. A cabeça é esquizofrênica. Nunca é total e una. Quando o coração diz "sim" ele simplesmente diz "sim". Não existe conflito, não existe divisão. O coração está integrado com o seu sim; essa é a verdadeira crença, confiança. É um fenômeno do coração. Não é um pensamento, mas um sentimento, e, essencialmente, nem mesmo um sentimento, mas um estado de ser.
No início, a confiança é um sentimento; em seu florescimento final, é um estado de ser."

OSHO

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012







''O refúgio mais seguro é a liberdade do nosso ser. Uma vez em contato com o ser natural vivemos livres de resistências, receptivos a todos os aspectos da experiência. Participamos plenamente da vida, compreendendo e realizando nossa oportunidade única como seres humanos.''


(A liberdade oculta da mente, Tarthang Tulku)


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sonhos Lúcidos

Florinda Donner é uma discípula de Don Juan Matus, um mestre bruxo do estado de Sonora, México e, por mais de vinte anos, uma companheira minha nesta aprendizagem. Devido a seus talentos naturais, Don Juan e duas de suas companheiras feiticeiras, Florinda Grau e Zuleica Abelar, deram a Florinda Donner uma instrução e cuidados muito especiais. Entre os três a treinaram como “ensonhadora” e a levaram a desenvolver sua “atenção de ensonho” a um grau de controle extraordinário.

De acordo com os ensinamentos de Don Juan Matus, os feiticeiros do antigo México praticavam duas artes: a arte de espreitar e a arte de ensonhar. Praticar uma ou outra arte estava decretado pela atitude inata de cada praticante da feitiçaria.

Ensonhadores eram aqueles que possuíam a habilidade de fixar o que os bruxos chamam de “atenção de ensonhos”, um aspecto especial da consciência, nos elementos dos sonhos normais.

Chamavam espreitadores a aqueles que possuíam uma aptidão inata conhecida como a “atenção de espreita”, outro estado especial da consciência, que permite encontrar os elementos chave de qualquer situação no mundo cotidiano e fixar essa dita atenção neles, a fim de alterá-los ou de ajudá-los a permanecer em seu curso.

Através de seus ensinamentos, Don Juan Matus sempre deixou muito claro que as idéias dos bruxos da antiguidade ainda permanecem em vigência hoje em dia, e que os bruxos modernos sempre se reúnem nesses dois grupos tradicionais. Para tanto, seu esforço como mestre foi inculcar em seus discípulos as idéias e práticas dos bruxos da antiguidade por meio de um rigoroso treinamento e uma disciplina férrea.

A idéia dos bruxos é que, ao fazer com que a atenção de ensonhos se fixe nos elementos dos sonhos normais, estes sonhos se transformam de imediato em ensonhos. Para eles, os ensonhos são estados únicos da consciência; algo como comportas abertas até outros mundos reais, porém alheios à mente racional do homem moderno. Na primeira vez que Don Juan me falou da arte de ensonhar, eu lhe perguntei:

_Você quer dizer, Don Juan, que um feiticeiro toma a seus sonhos como se fossem uma realidade?

_Um feiticeiro não toma nada como se fosse outra coisa – contestou. –Os sonhos são sonhos. Os ensonhos não são algo que se pode tomar como a realidade: os ensonhos são uma realidade a parte.

_Como é tudo isso? Me explique.

_Você tem que entender que um bruxo não é um idiota nem um transtornado mental. Um bruxo não tem nem o tempo nem a disposição para enganar a si mesmo, ou para enganar a ninguém, e menos ainda para dar um passo em falso. O que perderia fazendo isso é demasiado grande. Perderia sua ordem vital, a qual leva uma vida inteira para se aperfeiçoar. Um feiticeiro não vai desperdiçar algo que vale mais que sua vida tomando uma coisa por outra. Os ensonhos são algo real para um bruxo porque neles ele pode atuar deliberadamente; pode escolher dentro de uma variedade de possibilidades àquelas que sejam as mais adequadas para levá-lo aonde ele necessite ir.

_Então você quer dizer que os ensonhos são tão reais como o que estamos fazendo agora?

_Se prefere comparações, lhe direi que os ensonhos são talvez mais reais. Neles a pessoa tem poder para mudar a natureza das coisas, ou para mudar o curso dos eventos. Mas tudo isso não é o importante.

_O que é então o importante, Don Juan?

_O jogo da percepção. Ensonhar ou espreitar significa ampliar o campo do que se pode perceber a um ponto inconcebível para a mente.

Na opinião dos bruxos, todos nós em geral possuímos dons naturais de ensonhadores ou espreitadores, e a muitos de nós nos resulta muito fácil ganhar o controle da atenção de ensonhos ou o da atenção de espreita, e o fazemos de uma maneira tão hábil e natural que na maioria das vezes nem nos damos conta de o haver realizado. Um exemplo disto é a história do treinamento de Florinda Donner, que precisou de anos inteiros de agonizante trabalho, não para ganhar o controle de sua atenção de ensonho, e sim para clarear seus ganhos como ensonhadora e integrá-los ao pensamento linear de nossa civilização.

Certa vez foi perguntado a Florinda Donner qual era a razão pela qual escreveu este livro, e ela respondeu que lhe era indispensável contar suas experiências no processo de enfrentar e desenvolver a atenção de ensonho a fim de tentar, intrigar ou incitar, pelo menos intelectualmente, a aqueles que se interessem em levar a sério as afirmações de Don Juan Matus acerca das ilimitadas possibilidades da percepção. Don Juan acreditava que no mundo inteiro não existe, nem talvez já tenha existido, outro sistema, exceto o dos bruxos do antigo México, que conceda à percepção seu merecido valor pragmático.

CARLOS CASTANEDA

Para Refletir...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Predadores de Consciência


Este texto, difícil de digerir, é quase um mapa, e o assunto foi abordado na nossa publicação “Os Voadores” em novembro de 2010. Ele constata a situação difícil em que nós seres humanos estamos aprisionados. É contado de forma assertiva e sem muita condescendência num livro de Armando Torres, um índio descendente dos toltecas, ou “homens de conhecimento”, que foi discípulo do xamã Carlos Castaneda, e como as tradições sérias, sugere também a mesma disciplina, “o caminho do guerreiro”, para escaparmos da prisão. O livro é “Encontros com o Nagual” em cuja distribuição no Brasil, pelo amigo Juan Yolilitzli, tive o prazer de ajudar, e hoje é distribuido pelo acadêmico, estudioso de xamanismo e livreiro, Nelson Neraiel no Rio de Janeiro. Vamos lá:
“A continuação de nossa conversa chegou anos depois. Nessa ocasião, Carlos trouxe a uma de suas reuniões um conceito completamente novo e aterrorizante que despertou as mais apaixonadas controvérsias”.


"O homem - disse - é um ser mágico, tem a capacidade de voar pelo universo tal como qualquer uma das milhões de consciências que existem. Mas, em algum momento de sua história, perdeu sua liberdade. Agora sua mente não é sua, é uma intrusão".
Afirmou que os seres humanos são reféns de um conjunto de entidades cósmicas que se dedicam à depredação, as quais os bruxos chamam "os voadores".
Disse que este era um tópico muito secreto dos antigos videntes, mas que, devido a um augúrio, ele havia entendido que já era tempo de divulgá-lo. O augúrio foi uma foto que tinha tirado Tony, um budista cristão amigo dele. Nela aparecia nitidamente a figura de um ser escuro e tenebroso flutuando sobre uma multidão de fiéis reunida nas pirâmides de Teotihuacan.


"Minhas companheiras e eu determinamos que já era tempo de dar a conhecer nossa verdadeira situação como seres sociais, ainda que fosse às custas de toda a desconfiança que tal informação pudesse gerar no público".
Quando me apresentou a oportunidade, pedi que dissesse algo mais sobre os voadores, e então me contou um dos aspectos mais terrificantes do mundo de don Juan: que nós somos prisioneiros de seres que vieram dos confins do universo, que nos usam com a mesma naturalidade com que nós usamos as galinhas.
Explicou:
"A porção do Universo a que temos acesso é o campo de operações de duas formas radicalmente diferentes de consciências. Uma delas, a qual pertencem as plantas e os animais, incluindo o homem, é uma consciência esbranquiçada, jovem, geradora de energia. A outra é uma consciência infinitamente mais velha e parasitária, possuidora de uma imensa quantidade de conhecimento.
Além dos homens e outros seres que habitam esta terra, há no universo uma imensa gama de entidades inorgânicas. Estão presentes entre nós e em certas ocasiões são visíveis.

Nós os chamamos fantasmas ou aparições. Uma dessas espécies que os videntes descrevem como enormes vultos voadores de cor negra, chegou em algum momento, da profundidade do Cosmos, e achou um oásis de consciência em nosso mundo. Eles se especializaram em nos ordenhar'''.
"Isso é incrível!" - exclamei.
"Eu sei disso, mas é a mais pura e aterradora verdade. Você nunca se perguntou sobre o porquê dos altos e baixos energéticos e emocionais das pessoas? É o predador que vem periodicamente recolher sua cota de consciência. Eles só deixam o suficiente para que continuemos vivendo, e às vezes nem para isso".
"O que você quer dizer?"


"Que às vezes exageram e a pessoa fica doente gravemente, e até morre".
Eu não dava crédito a meus ouvidos.
"Quer dizer que estamos sendo devorados em vida?", perguntei.
Sorriu.
"Bom, eles não nos 'comem' literalmente, o que fazem é uma transferência vibratória. A consciência é energia e eles podem alinhar-se conosco. Como por natureza estão sempre famintos, e nós, pelo contrário, exsudamos luz, o resultado desse alinhamento só pode ser descrito como depredação energética".
"Mas, por que eles fazem isso?".

"Porque, num plano cósmico, a energia é a moeda mais forte e todos a querem, e nós somos uma raça vital, repleta de comida. Cada coisa viva come a outra, e o mais poderoso sempre sai ganhando. Quem disse que o homem está no cume da cadeia alimentar? Essa visão só pode ocorrer a um ser humano. Para os inorgânicos, nós somos a presa".
Eu comentei que me parecia inconcebível que entidades mais conscientes que nós chegasse à esse grau de rapina.
Respondeu:

"Mas o que você acredita que você faz quando come uma alface ou um bife? Você está comendo vida! Sua sensibilidade é hipócrita. Os depredadores cósmicos não são nem mais nem menos cruéis do que nós. Quando uma raça mais forte consome uma outra inferior, está fazendo com que sua energia evolua.
"Já lhe falei que no universo só há guerra. As confrontações dos homens são um reflexo do que se passa lá fora. É normal que uma espécie tente consumir a outra; o próprio de um guerreiro é não lamentar por isso, mas tentar sobreviver".
"E como nos consomem?".
"Através de nossas emoções, devidamente canalizadas pela tagarelice interior. Eles desenharam o entorno social de tal modo que estamos todo o tempo disparando ondas de emoções que são imediatamente absorvidas. Eles gostam principalmente dos ataques do ego; para eles, esse é um bocado delicioso. Tais emoções são as mesmas em qualquer lugar do universo onde se apresentem e eles têm aprendido a metabolizá-las.


"Alguns nos consomem pela luxúria, a raiva ou o temor; outros preferem sentimentos mais delicados, como o amor ou a ternura. Mas todos eles estão interessados na mesma coisa. O normal é que nos ataquem pela área da cabeça, do coração ou do ventre, ali onde nós guardamos a maior quantidade de nossa energia"-
"Eles também atacam aos animais?".
"Esses seres usam tudo aquilo que esteja disponível, mas eles preferem a consciência organizada. Drenam aos animais e as plantas na medida de sua atenção que não é demasiadamente fixa. Atacam inclusive a outros seres inorgânicos, só que esses sim os vêem e os evitam. como nós evitamos os mosquitos. O único que cai completamente na armadilha deles é o homem".
"Como é possível que tudo isso esteja acontecendo sem que o percebamos?".
"Porque nós herdamos a troca com esses seres quase como uma condição genética, e a estas alturas nos parece algo natural. Quando nasce a criatura, a mãe a oferece como comida, sem perceber, porque a mente dela também está dominada. Quando a batiza está assinando um acordo. A partir daí, se esforça por inculcar modos de comportamentos aceitáveis, o domestica, podando seu lado guerreiro e o transforma em uma ovelha mansa.
"Quando uma criança nasce suficientemente energética para rejeitar essa imposição, mas não o bastante para entrar no caminho do guerreiro, ela se torna um rebelde ou um desajustado social.


"A vantagem dos voadores reside na diferença entre nossos níveis de consciência. Eles são entidades muito poderosas e vastas; a idéia que temos deles é equivalente ao que possa ter uma formiga de nós.
"Porém, sua presença é dolorosa e se pode medir de diversas maneiras. Por exemplo, quando eles nos provocam ataques de racionalidade ou de desconfiança ou nos sentimos tentados a violar nossas próprias decisões. Os lunáticos podem detectá-los muito facilmente - demasiado, diria eu -, já que eles sentem fisicamente como esses seres pousam em seus ombros, gerando paranóias. O suicídio é o selo do voador, pois sua mente é homicida em potencial".
"Você diz que é uma troca; mas, o que ganhamos com tal despojo?".
"Em troca de nossa energia, os voadores nos deram a mente, os apegos e o ego. Para eles, nós não somos escravos, mas um tipo de trabalhadores assalariados. Eles privilegiaram uma raça primitiva e lhe deram o dom de pensar, o que nos fez evoluir; mais ainda, eles nos fizeram civilizados. Se não fosse por eles, nós ainda estaríamos escondidos em cavernas ou fazendo ninhos no topo das árvores.
"Os voadores nos dominam através de nossas tradições e costumes. Eles são os amos das religiões, os criadores da História. Escutamos sua voz no rádio e lemos suas idéias nos jornais. Eles manejam todos os nossos meios de informação e nossos sistemas de crenças.

A estratégia deles é magnífica. Por exemplo, houve um homem honesto que falou de amor e liberdade; eles transformaram isto em autocompaixão e servilidade. Eles fazem isto com tudo, até mesmo com os naguais. Por isso o trabalho de um bruxo é solitário.
"Durante milênios, os voadores prepararam planos para nos coletivizar. Houve um tempo em que eram tão descarados que até se mostravam em público e as pessoas os representaram em pedra. Esses eram tempos escuros, pululavam por todos os lados. Mas agora a estratégia deles se fez tão inteligente que nem sabemos que existem. No passado, nos enganchavam pela credulidade; hoje em dia, pelo materialismo. São os responsáveis pelo fato de que a aspiração do homem atual seja de não ter que pensar por si mesmo; não precisa de mais nada, observe quanto tempo alguém agüenta em silêncio!"
"Por que essa mudança na estratégia deles?".
"Por que neste momento, eles estão correndo um grande risco. A humanidade está em um contato muito rápido e qualquer um pode se informar. Ou eles enchem nossa cabeça, bombardeando-nos dia e noite com todo o tipo de sugestões, ou haverá alguns que perceberão e avisarão aos outros".
"O que aconteceria se pudéssemos repelir a essas entidades?"


"Em uma semana recuperaríamos nossa vitalidade e estaríamos brilhando novamente. Mas, como seres humanos normais, não podemos pensar nessa possibilidade, porque isso implicaria em ir contra tudo aquilo que é socialmente aceitável. Felizmente, os bruxos têm uma arma: a disciplina.
O encontro com os inorgânicos é gradual. No principio não os notamos. Mas um aprendiz começa a vê-los no ensonho e logo na vigília - algo que pode enlouquecê-lo se ele não aprende a agir como um guerreiro. Depois que os percebe, pode confrontá-los.
"Os bruxos manipulam a mente forasteira tornando-se caçadores de energia. É com essa finalidade que minhas companheiras e eu desenhamos para as massas os exercícios de Tensegridade que têm a virtude de nos libertar da mente do voador.

"Nesse sentido, o bruxo é um oportunista. Aproveita o empurrão que lhe deram e diz a seu captores: 'Obrigado por tudo, nos vemos por aí! O acordo que vocês fizeram foi com meus antepassados, não comigo!'. Ao recapitular sua vida, literalmente está tirando a comida da boca do voador. É como se você chegasse à uma loja e devolvesse o produto ao negociante, exigindo-lhe: 'Devolva-me o dinheiro!'. Os inorgânicos não gostam disso, mas não podem fazer nada.
"Nossa vantagem é que somos dispensáveis, há muita comida por aí! Uma posição de alerta total, que não é outra coisa senão disciplina, cria tais condições em nossa atenção que nós deixamos de ser saborosos para esses seres. Em tal caso, eles dão meia volta e nos deixam tranqüilos".

O assunto é com todos nós sem exceção. Não adianta “se fazer de tonto para não ir para a guerra”...



Sobre o Intento

Imagem Para os xamãs do México antigo, o intento era uma força que eles podiam visualizar quando viam a energia enquanto ela fluía no universo. Eles o consideravam uma força que permeava tudo e intervinha em todos os aspectos do tempo e do espaço. Era um ímpeto por trás de tudo; mas o que era de valor inconcebível para esses xamãs era que esse intento — uma abstração pura — estava intimamente ligado ao homem.
O homem podia manipulá-lo sempre.
Os xamãs do México antigo perceberam ainda que a única maneira de afetar essa força era por meio de um comportamento impecável. Só o praticante mais disciplinado podia tentar tal feito.

O intento não é um pensamento, ou um objeto, ou um desejo. O intento é o que pode fazer um homem vencer, quando todos os seus pensamentos lhe dizem que ele está derrotado. Opera a despeito da indulgência do guerreiro. O intento é o que o torna invulnerável. O intento é o que envia o xamã através da parede, através do espaço, para o infinito.

O próprio Dom Juan enfatizou para mim, falando sobre aqueles antigos xamãs, que o aspecto do seu mundo que era de supremo interesse aos praticantes modernos era a consciência aguda que esses xamãs desenvolveram sobre a força universal, que chamavam de intento. Eles explicavam que o elo que cada um desses homens tinha com tal força era tão nítido e claro que eles podiam modificar as coisas à vontade. Dom Juan disse que o intento desses xamãs, desenvolvido com uma intensidade penetrante, era a única ajuda que os praticantes modernos tinham. Ele se expressou em termos mais mundanos, dizendo que os praticantes modernos, se fossem honestos consigo mesmos, pagariam qualquer preço para viver sob o guarda-chuva de tal intento.

Dom Juan assegurou que qualquer um que mostrasse o mais fugaz interesse no mundo dos xamãs da antigüidade era imediatamente trazido para o círculo pelo afiado intento deles. Seu intento era, para Dom Juan, algo incomensurável que nenhum de nós poderia enfrentar. Além disso, ele argumentava que não havia necessidade de enfrentar tal intento, porque era a única coisa que importava; era a essência do mundo desses xamãs, o mundo que os praticantes modernos almejavam acima de qualquer coisa imaginável.

— O intento desses xamãs — disse Dom Juan — era tão agudo, tão poderoso, que podia solidificar a estrutura do guerreiro em qualquer um que tocasse, mesmo que eles não tivessem consciência disso.

Em suma, o guerreiro era, para os xamãs do México antigo, uma unidade de combate tão sintonizada com a luta em volta dele, tão extraordinariamente alerta na sua forma mais pura, que ele não precisava de nada supérfluo para sobreviver. Não havia necessidade de dar presentes para um guerreiro, ou apoiá-lo com palavras ou ações, ou tentar dar-lhe consolo ou incentivo. Todas essas coisas já estavam incluídas na estrutura do próprio guerreiro. Desde que essa estrutura fosse determinada pelo intento dos xamãs do México antigo, eles se asseguravam de que qualquer coisa previsível estaria incluída. O resultado final era um lutador que lutava só e que tirava de suas próprias convicções silenciosas todo o impulso que necessitava para avançar, sem queixas, sem a necessidade de ser elogiado.

Pessoalmente, achei fascinante o conceito do guerreiro e, ao mesmo tempo, era uma das coisas mais amedrontadoras que jamais tinha encontrado. Pensava que era um conceito que, uma vez que eu o adotasse, me manteria preso numa servidão e não me daria nem tempo nem disposição para protestar, criticar ou me queixar. A queixa foi um hábito de toda a minha vida; para ser sincero, eu teria lutado com unhas e dentes para não deixá-la. Achava que a queixa era um sinal do homem sensível, corajoso e direto que não tem escrúpulos em admitir do que gosta e do que não gosta. Se tudo isso ia se transformar num organismo de luta, eu achava que ia perder mais do que podia me permitir.

Eram esses meus pensamentos profundos. E, contudo, eu cobiçava a direção, a paz, a eficiência do guerreiro. Um dos grandes auxílios que os xamãs do México antigo usaram ao estabelecer o conceito de guerreiro era a idéia de tomar a morte como uma companheira, uma testemunha de nossos atos. Dom Juan disse que, uma vez aceita essa premissa, mesmo numa forma mitigada, se forma uma ponte que se estende sobre o vazio entre o mundo de nossos afazeres mundanos e alguma coisa que está diante de nós, embora não tenha nome; alguma coisa que está perdida na neblina e não parece existir; alguma coisa tão terrivelmente obscura que não pode ser usada como ponto de referência e, no entanto, está aí, inegavelmente presente.

Dom Juan argumentava que o único ser na terra capaz de cruzar essa ponte era o guerreiro: silencioso em sua luta, ele é um homem que não pode ser detido porque não tem nada a perder; e um homem funcional e eficiente porque tem tudo a ganhar.

A vantagem oculta dos seres luminosos é que eles têm algo que nunca é usado: intento. A manobra dos xamãs é a mesma do homem comum. Ambos têm uma descrição do mundo. O homem comum a sustenta com sua razão; o xamã a sustenta com seu intento. Ambas as descrições têm suas regras; mas a vantagem do xamã é que o intento é mais abrangente do que a razão.

Um guerreiro não pode deixar nada ao acaso. Ele interfere no resultado dos acontecimentos através da força de sua consciência e de seu intento inflexível.

A impecabilidade começa com um único ato, que tem de ser deliberado, preciso e fundamentado. Se esse ato é repetido pelo tempo suficiente, adquire-se o senso de um intento inflexível, que pode ser aplicado a qualquer outra coisa. Se isso é realizado, o caminho é claro. Uma coisa leva à outra até que o guerreiro perceba todo o seu potencial.

Há no universo uma força incomensurável e indescritível que os xamãs chamam intento, e absolutamente tudo o que existe em todo o cosmo é ligado ao intento por uma conexão. Os xamãs estão interessados em discutir, compreender e usar essa conexão. Estão especialmente interessadas em limpá-la dos efeitos paralisantes que resultam das preocupações comuns com a vida cotidiana.
O xamanismo, neste nível, pode ser definido como um procedimento de limpeza da conexão com o intento.

A conexão do homem comum com o intento está praticamente morta, e os guerreiros começam com uma conexão que é inútil, porque não responde voluntariamente. Com o objetivo de revitalizar essa conexão, os guerreiros precisam de um propósito rigoroso e feroz — um estado especial da mente chamado intento inflexível.

O poder do homem é incalculável; a morte existe somente porque a intentamos desde o momento de nosso nascimento. O intento da morte pode ser cancelado fazendo-se o ponto de aglutinação mudar de posição.

O conhecimento silencioso nada mais é do que o contato direto com o intento.

Citações extraídas da Roda do Tempo, de Carlos Castaneda.


A existência cuida de todos. Não poderíamos existir sem o amor da existência, nem mesmo por um momento. Ela continua derramando vida sobre nós. Somos imensamente queridos pela existência embora a tenhamos como uma coisa garantida – é aí que está a nossa estupidez.


O homem realmente religioso sente gratidão, imensa gratidão. Pelo simples fato de existir, ele é grato.
E uma vez que você começa a sentir gratidão há mil e uma coisas para sentir gratidão.
E quanto mais você se sente agradecido mais dádivas vão chegando. Muitos presentes não nos alcançam devido a nossa mente queixosa. Se essa mente queixosa for posta de lado todas as estrelas são nossas e todos os mistérios que a existência contém são nossos.
(Osho)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Tempestades solares podem salvar a humanidade




As tempestades solares dos próximos anos poderiam fazer com que nossos cérebros gerem substâncias capazes de criar fortes alucinações. Estas alucinações serão totalmente reais para a pessoa que as experimente e afetarão nossos sentidos de diferentes formas: o tempo parecerá mover-se mais lentamente, veremos presenças estranhas, ouviremos vozes, perceberemos forças invisíveis e sentiremos uma poderosa união com o universo que nos rodeia. CONTINUE LENDO O TEXTO AQUI


Nada está do lado de fora...

"E de repente a vida te vira ao avesso. E você descobre que o avesso é o seu lado certo.” Caio Fernando Abreu

Para experimentar-se a plenitude, é preciso desenvolver uma nova qualidade de ver, ou um simples enxergar, um enxergar de quem apagou dentro de si todo o enxergado anterior; um enxergar como quem não precisa contar depois o que enxergou; um enxergar com a falta de compromisso de quem não vai contar nem a si mesmo. Um enxergar como quem jamais precisará entender o que viu, assim como a natureza de um passarinho vê, sem depois ter sequer que lembrar...


Ao reconhecermos o que realmente estamos procurando e ao começarmos a procura pelo amor interno perdido, neste ponto, a verdadeira jornada da vida humana começará...



Saturno está em Libra desde outubro de 2009, influenciando diretamente os relacionamentos. Está desde então nos mostrando que relações são fortes, estáveis e verdadeiras. Está testando as estruturas, mostrando onde há verdade. Temos visto, durante todo este período, muitas relações ruírem. Onde não há base sólida nem amor verdadeiro não há estrutura e raiz suficiente para a relação se manter. E Saturno está fazendo seu tradicional papel de fiscal nestes casos, apontando falhas, dores e dificuldades. Não é à toa que o número de divórcios aumentou mais de 75% em 2010, em relação aos anos anteriores. O Saturno em Libra mostrando onde há ou não verdade, respeito e estrutura e do outro lado Urano em Áries pedindo mais liberdade e autonomia para todos, inclusive dentro das relações. Ainda temos o Plutão em Capricórnio, que já há algum tempo vem mexendo com todas as estruturas mais profundas de tudo. Neste contexto, no qual toda verdade vem sendo trazida à tona, os relacionamentos sente especialmente a necessidade de se estruturar, de mudar, de melhorar.

É um grande aprendizado individual e coletivo sobre amor e relacionamentos. O céu está pedindo mais respeito, honestidade, verdade, profundidade e amor. Amo próprio, amor pelo outro. Honestidade e respeito por si mesmo e pelo outro. Chega de falsas estruturas, de relações baseadas em status ou aparência. Os astros mostram que esse tipo de relação está mesmo com os dias contados. Neste contexto, Saturno, que já teve outras duas retrogradações desde seu ingresso no signo de Libra, ficará mais uma última vez retrógrado entre 07 de fevereiro e 26 de junho e esta será sua última mudança de direção antes de mergulhar nas águas profundas de Escorpião, em outubro deste ano. Toda vez que um planeta fica retrógrado, pede revisão e no caso do Saturno em Libra, pode ser uma última oportunidade de olhar para dentro e rever pontos delicados e dificuldades das relações. É bom lembrar que apesar do foco principal estar nas relações amorosas, todos os relacionamentos estão sendo afetados: pessoais, amorosos, familiares, profissionais, amizades. Também vale lembrar que os pontos positivos também estão sendo ressaltados. Onde há amor, honestidade, verdade, estrutura e respeito, os laços estão sendo positivamente fortalecidos e aprofundados, tornando os vínculos mais intensos.

De certa forma, o céu está afastando quem não está mais em sintonia, enquanto une aqueles que neste momento precisam se encontrar. E é muito importante que neste período em que o Saturno estará retrógrado possamos dar mesmo atenção para isso, para nossos sentimentos e relações, pois quando ele entrar em Escorpião, acabou a gentileza, a diplomacia e a oportunidade de resolvermos as coisas por nós mesmos. Em Escorpião, o Saturno certamente vai aprofundar e potencializar os vínculos verdadeiros que foram construídos ou fortalecidos durante sua estadia em Libra, mas com certeza vai potencializar a dor e ampliar intensamente as dificuldades de tudo que foi mantido sem razão ou base suficiente para isso. Então, o fim pode ser mais dolorido, pois o Saturno em Escorpião, signo da morte e da transformação, fará seu trabalho com ainda mais responsabilidade e sem consulta prévia. E não devemos ter medo de nada disso, porque apenas estamos tendo que encarar a verdade que já existia, mas que estava escondida em um velho armário ou debaixo do tapete. E temos também que agradecer, porque estamos tendo a oportunidade de enxergar também os bons vínculos, as boas relações.

Estamos percebendo com quem podemos mesmo contar, quem nos valoriza e respeita e com quem temos mesmo vontade de estar. E nada melhor que esta última retrogadação de Saturno no justo signo de Libra para fazermos isso tudo. Até porque Marte também está retrógrado, até a metade de abril, no signo de Virgem, dando uma força extra para toda e qualquer faxina, limpeza e organização, de tudo inclusive do nosso coração. O Marte retrógrado está pedindo revisão de atitudes e decisões e não temos que ter medo de voltar atrás, se isso for o mais certo, o mais justo, o mais adequado, conforme nosso justo Saturno em Libra está apontando. Por isso, com Marte e Saturno caminhando na mesma direção, decisões podem ser executadas e o que precisa ser (re) feito pode ser muito bem feito, com planejamento, cuidado e atenção. Por sinal, Marte e Saturno estão justamente nos signos mais exigentes quando o assunto é beleza e perfeição, nos signos mais justos e que mais esperam verdade e justiça.

Portanto, vamos todos olhar com sinceridade para dentro, perguntar o que de fato desejamos e questionar se nossa vida e especialmente nossos relacionamentos vão bem e vamos assumir nossas verdades para nós mesmos, para o outro e para o mundo, em busca de relações mais verdadeiras e uma vida melhor. Com certeza Saturno em Libra sabe valorizar a verdade e é justo o suficiente para retribuir e recompensar as ações honestas e responsáveis. E sem dúvida isto está acontecendo, pois pessoas estão se (re) encontrando e as verdadeiras relações estão se fazendo e se fortalecendo. Relações verdadeiras estão se estruturando e onde há amor, respeito, companheirismo, verdade e honestidade, as bases estão ganhando muito mais estrutura e a promessa é de muito mais harmonia, equilíbrio e bem estar. O momento também mostra que a famosa frase “antes só do que mal acompanhado” nunca foi tão verdadeira, até porque o céu está nos mostrando cada vez mais que a verdade, o amor, a estrutura e o respeito devem existir em primeiro lugar na nossa relação com nós mesmos, pois somente assim podemos nos relacionar melhor. E isso vale para todos nós, estejamos sozinhos ou acompanhados. Vamos olhar para a relação que temos com nós mesmos e valorizar mais as verdadeiras relações.

Vamos ser mais verdadeiros e respeitosos com sentimentos, tempos e limites, nossos e dos outros. E vamos fazer o que estiver ao nosso alcance em nome da felicidade, já que um dos grandes aprendizados deste Saturno em Libra é justamente que somos nós os responsáveis por tudo que nos acontece, pelas pessoas que atraímos e pelas relações que temos e, portanto, se queremos mudar alguma coisa em qualquer relação, somos nós que devemos dar o primeiro passo e fazer ou refazer o que for preciso para dizer sim à felicidade. Isso também inclui aceitar a nós mesmos e aos outros exatamente como somos, pois só assim há respeito e apenas desta maneira podemos dizer um belo sim à mais pura e verdadeira felicidade!

Por Titi Vidal

Excelente texto complementar AQUI

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Os Sentimentos e as Emoções



Os Sentimentos e as Emoções

Os Sentimentos e as Emoções

O bem maior do homem é a realização completa de sua razão, quando ela consegue dominar os seus sentimentos e desejos e a partir daí, todos eles perdem seu sentido de ser.
É comum a idéia de que, quando a mente humana entra em ação, em primeiro lugar se formou o pensamento. Mas, numa camada mais profunda do que aquela em que se forma o pensamento, surge o sentimento, que gera o pensamento.

As pessoas pensam porque sentem

A força criativa não é acionada diretamente pelo pensamento. Toda ação criativa é decorrente de um sentimento. Portanto, os sentimentos desempenham um papel muito importante, porque são eles que acionam todos os pensamentos e a materialização das ações.
A Mente Subconsciente é a sede de todas as emoções, de todos os sentimentos. A Mente Consciente é apenas uma área mental onde são registrados as emoções e os sentimentos já experimentados. Esta é a razão porque as emoções e os sentimentos gravados na Mente Subconsciente se manifestam com tanta força.
E, chega o momento onde é fundamental diferenciar emoções de sentimentos, pois existe muita confusão. Na verdade emoções e sentimentos caminham muito perto um do outro. Até porque, afloram do mesmo ponto da mente, o subconsciente, embora as emoções sejam mais reptilianas (primitivas, instintivas, carentes de uma censura), enquanto os sentimentos são emoções que já passaram por filtros conscienciais e espirituais.
A grande diferença está no processo evolutivo do indivíduo, ou seja, se ele aceita ser movido:
pelos instintos e a irracionalidade - emoção
OU
pela espiritualidade, assumindo seu livre-arbítrio e todas as suas conseqüências - sentimento
A emoção é um estado afetivo intenso, muito complexo, proveniente da REAÇÃO, ao mesmo tempo mental e orgânica, sob a influência de certas excitações internas ou externas. Na emoção existe forte influência dos instintos, das inferioridades e da não-racionalidade.
O sentimento se distingue basicamente da emoção por estar revestido de um número maior de elementos intelectuais e racionais. No sentimento já existe alguma elaboração no sentido do entendimento e compreensão. No sentimento já acontece uma aproximação da reflexão e do livre-arbítrio, da espiritualidade e da racionalidade ou evolução humana.

Alegria é um sentimento. Euforia é emoção.
A alegria é espontânea, na maioria das vezes não depende de um motivo ou causa, ela simplesmente acontece e transborda. Ela é calma e contagiante. A euforia atropela, é inadequada, incomoda e é pouco diplomática. Normalmente, após a euforia seguem quadros de frustração, depressão e apatia.

Tristeza é um sentimento. Depressão é emoção.
A tristeza é inevitável em algumas situações da vida, mas ela pode ser vivenciada juntamente com a paz, porque acontece a compreensão de que tudo é passageiro e transitório, como também aprendizado.

Medo é um sentimento. Pânico é emoção.
Os medos são muitos e até servem como autoproteção, autopreservação ou alerta. Mas o medo constante, sem motivo aparente ou real, que paralisa, revela falta de lucidez e confiança. Coragem (coração + ação) é fazer com medo.

Raiva é um sentimento. Ódio é emoção.
É humano expressamos o sentimento de raiva, até como um posicionamento, um discernimento. Mas este sentimento deve ser rápido, passageiro, o tempo de aprender como transformá-lo em atitudes realizadoras, oportunidades do exercício da paciência, tolerância e compreensão. Jamais deixe que a raiva se transforme em mágoa, rancor ou ódio, pois este é o caminho da autodestruição.

Amor é um sentimento. Paixão é emoção.
O Amor anima e liberta. Junto com a paixão vêm de brinde o ciúme, a dor, insegurança e a possessividade.
Existem três tipos de sentimentos:
Agradáveis
Desagradáveis
Neutros
Quando temos um sentimento desagradável, desejamos evitá-lo. Porém, o ideal é voltar à respiração consciente, que vai oxigenar, trazer clareza e apenas observá-lo, identificando-o em silêncio.
Note: Inspirando, tomo consciência de que há um sentimento desagradável em mim. Expirando, percebo claramente que há um sentimento desagradável em mim. Raiva, tristeza ou medo, nomeado e identificado com clareza, fica mais sincera e profunda e forma de lidar com ele.

Respirando e tornando-se consciente
A respiração é a forma mais poderosa à nossa disposição para nutrir e fortalecer de poder construtivo as questões emocionais e afetivas. As filosofias orientais já dominavam este conhecimento e faziam uso desta ferramenta há milênios. Bons exemplos são a yoga e os mantras. Através da respiração é possível entrarmos rapidamente em contato com nossos sentimentos, observá-los por uma ótica mais clara, oxigenada e administrá-los.

Se a respiração for leve e tranqüila — resultado natural da respiração consciente — a mente e o corpo irão lentamente se tornando leves, tranqüilos e claros. E da mesma forma os sentimentos.
Na cura dos sentimentos desagradáveis é fundamental cuidado, amor e não-violência. Não acredite em transformações sem amor. Mesmo porque, através da observação consciente, os sentimentos desagradáveis podem ser muito esclarecedores, proporcionando revelações e compreensão a respeito de nós mesmos e da nossa sociedade.

O sentimento verdadeiro é a compreensão, é o perdão. É uma sensação de paz.
Em vez da ação que busca se desfazer de partes de nós mesmos, devemos aprender a arte da transformação. Podemos transformar nossa raiva, por exemplo, em algo mais salutar, como a compreensão. E, desta mesma forma, é possível tratar a ansiedade (medo) ou a depressão (desesperança).
As emoções nos levam às ilusões, às falsas expectativas, à distorção da realidade. Desta forma, ficam comprometidos o discernimento e a capacidade de julgamento. Fica faltando a luz da evolução espiritual. Por outro lado, os sentimentos nos fazem crescer, expandir para a conquista da paz.